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Especialista fala sobre os riscos de usar anabolizantes

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    dialogoce
  • 2 de jun.
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O caso trouxe à tona discussões importantes sobre os limites entre estética, performance e saúde no universo do fisiculturismo.

Foto: Divulgação / Wyden
Foto: Divulgação / Wyden

A morte precoce do influenciador e fisiculturista Gabriel Ganley, aos 22 anos, reacendeu o debate sobre os riscos do uso indiscriminado de anabolizantes e os impactos que essas substâncias podem causar ao organismo, especialmente ao coração. O caso trouxe à tona discussões importantes sobre os limites entre estética, performance e saúde no universo do fisiculturismo.


Segundo Herbert Lima Mendes, professor do IDOMED e cardiologista, o uso excessivo de esteroides anabolizantes pode provocar alterações graves no músculo cardíaco. “Em muitos pacientes, o uso de anabolizantes em doses elevadas acaba levando à hipertrofia do coração. O coração cresce acima do normal porque ele também é um músculo. A hipertrofia que aumenta os músculos dos braços e pernas também aumenta o coração”, explica.


 A cardiomiopatia hipertrófica, apontada no atestado de óbito do atleta, provoca o espessamento anormal do músculo cardíaco, dificultando o bombeamento de sangue e aumentando o risco de insuficiência cardíaca e morte súbita, especialmente entre jovens e atletas.


Para Guilherme Lisboa, professor de Educação Física da Wyden e mestre em Ciências Fisiológicas, é fundamental esclarecer as questões que envolvem a prática do fisiculturismo e a utilização dessas substâncias. “O fisiculturismo exige padrões físicos muito específicos, como alto volume muscular, definição extrema, músculos aparentes e simetria entre membros superiores e inferiores. Existe o fisiculturismo natural e também o mais conhecido, que envolve o uso de diversos esteroides, anabolizantes e outros medicamentos”, afirma.


O especialista destaca que os hormônios possuem taxas ideais para o funcionamento do organismo e que o aumento artificial dessas substâncias compromete diferentes funções do corpo. “Quando acontece um aumento suprafisiológico muito elevado de hormônios, como a testosterona e seus derivados, a pessoa pode comprometer várias funções do organismo, porque o corpo não está preparado para receber uma carga tão alta”, explica.


Mesmo com acompanhamento médico, o uso de esteroides não é isento de riscos. “Nenhuma pessoa está livre dos efeitos colaterais. Existe sempre um risco associado ao uso dessas substâncias”, alerta Guilherme Lisboa.


O professor também reforça que é possível conquistar ganho de massa muscular de forma saudável, respeitando limites individuais e genéticos. “É possível alcançar uma grande massa muscular com alimentação adequada, orientação de nutricionista e treino acompanhado por um profissional de Educação Física. Claro que existe também a condição genética de cada indivíduo”, pontua.


Herbert Lima Mendes ainda chama atenção para a chamada “Síndrome do Super-Homem”, comportamento comum entre usuários de anabolizantes. “Os atletas acreditam que os problemas acontecem com os outros e nunca com eles. Isso faz com que muitos aumentem doses e combinem substâncias sem acompanhamento adequado, elevando ainda mais os riscos”, afirma.


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